Solidariedade

Há 18 anos propagando a fé e solidariedade

Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá aproveita data comemorativa para apelo por doações

Divulgação -

Seguir os ensinamentos de Deus e transformá-los em ação. Com essa premissa e com o objetivo de acabar com a miséria na cidade de Pelotas através de uma caridade organizada, o Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá completa nesta terça-feira 18 anos. Referência entre os projetos ativos em prol de ajudar a população mais necessitada, o Banco alimenta atualmente 1,4 mil famílias e necessita de ajuda da população após o número de doações caírem drasticamente com a chegada da pandemia.

A bela história da organização começa em 2003. O fundador, padre Mário Prebianca, compartilhou sua ideia sobre a criação de um banco de alimentos com Maria Eulalie Fernandes, atualmente coordenadora da instituição. Diante da união da Diocese de Pelotas com o Mutirão para a Superação da Fome e da Miséria, a organização inicialmente atendia 50 famílias em situação de vulnerabilidade espalhadas pela cidade, número que aumentou nos últimos anos.

Foi a partir do projeto inicial, de arrecadação e doação de alimentos, que outros projetos foram se formando, saindo do papel e rapidamente integrados à comunidade em vulnerabilidade que necessita de auxílios básicos. São eles: o Banco de Empregos, com a oferta de cursos servindo como forma de proporcionar renda e mudar a realidade de diversas famílias através da integração destes no mercado de trabalho; o Banco de Leite, com a doação do mantimento para crianças necessitadas; o Banco de Roupas; de Remédios; e, mais recentemente, o Banco de Materiais Escolares, visando auxiliar crianças que sequer possuem objetos para estudos. Todos mantidos através de doações, mensalistas, colaboradores e voluntários.

O nome do Banco nada mais é do que um símbolo de solidariedade, segundo Maria Eulalie. Madre Tereza de Calcutá destaca-se na religião católica por sua fé e caridade, exemplos que inspiram a instituição na luta contra a miséria.

Dai de comer a quem tem fome

Responsável pela única fonte de alimento de 1,4 mil famílias, a estimativa é de que o Banco distribua entre 16 e 17 toneladas mensalmente. Dentre estas famílias está a de Daiane da Silva. Moradora da rua do Pântano, viu seu marido ficar desempregado recentemente e a fonte de renda da família ser dizimada. "A gente não sabia para que lado correr. Graças a Deus o Banco começou a nos ajudar, me inscrevi e todos os meses eles ajudam a gente", conta.

Conforme apontou recente matéria do Diário Popular, somente em Pelotas mais de 20,3 mil pessoas vivem em situação de extrema pobreza, segundo dados do Ministério da Cidadania. Com estes números em mãos e a meta de minimizar a miséria e tornar as pessoas mais dignas, Eulalie acredita que esse quantitativo pode ser diminuído. "[Atender] vinte mil pessoas para o tamanho da nossa comunidade não é utopia, é possível. Mas é preciso pessoas que abracem a causa, gente que não está conformado com o que o pobre está passando", destaca.

Na pandemia os problemas sociais aumentaram e a desigualdade de classes ficou ainda mais evidente. Dentre as principais consequências apontadas pelas organizações que auxiliam pessoas é destacada a queda no número de doações. A coordenadora afirma que em agosto do ano passado vivenciou o primeiro teste, as arrecadações caíram e as pessoas batiam à sua porta implorando por comida. "As doações quase pararam e esse ano a luta continua", lamenta.

Com as doações diminuindo e a necessidade do isolamento social, a saída foi adaptar-se à era das lives. Até o momento, quatro transmissões ao vivo foram realizadas. Um dos eventos recentes que foi abraçado pela comunidade foi a tradicional Feijoada de Calcutá, entretanto desta vez virtual e sem a oferta do prato. A venda de mesas fictícias tinha o intuito de arrecadar dinheiro e este ser revertido na compra de feijão aos mais necessitados. "Tudo está acontecendo graças ao Espirito Santo. Nós nos reinventamos de tudo que é jeito mas está sendo um desafio. Essa feijoada sem feijão deu três vezes mais do que a tradicional", comemora Maria.

Parceria vai doar itens de higiene ao Banco

No dia de aniversário um novo projeto irá entrar em ação, desta vez em parceria com o Sanep, utilizando o Projeto Óleo Sustentável, que reverte óleo de cozinha usado e descartado pela população em detergente e sabão em barra. Este que já doou, somente neste ano, mais de 4 mil barras para escolas, entidades assistenciais e unidades de saúde.

Com o vínculo, a autarquia repassará centenas de itens de limpeza e higiene ao Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá que serão distribuídos juntamente com os alimentos doados nas cestas básicas. "A parceria com o Sanep é uma grande graça que nós tivemos, agora as famílias também poderão receber sabão e detergente líquido", comemora Maria.

 

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